Assembleia de Deus colhe assinaturas para criar partido

Maior comunidade evangélica do país, igreja da presidenciável Marina Silva quer criar partido

A Assembleia de Deus, igreja da presidenciável Marina Silva (PSB), está recolhendo assinaturas para a criação de um partido político. O nome da nova legenda é mantido em segredo pela Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGAB), que representa a igreja em todo o território nacional – a mais antiga denominação evangélica no Brasil, fundada no país em 1910. A intenção, segundo o presidente do conselho político da igreja, pastor Lélis Marinhos, é reunir em uma só legenda todos os políticos assembleianos. Ele disse não ter noção do número de eleitos que são da igreja, mas afirmou que apenas no estado de São Paulo a igreja tem cerca de 100 vereadores. Na Câmara dos Deputados, são atualmente 26 deputados federais, entre eles pastor Marco Feliciano (PSC-SP), e a expectativa é, nesta disputa, ampliar a bancada.

Entre os políticos de maior destaque da legenda está Marina Silva, que deve receber nos próximos dias apoio oficial da Assembleia de Deus. Segundo o pastor, o conselho político da igreja vai se reunir com lideranças de todo o país para decidir se apoia Marina ou o pastor Everaldo, candidato a presidente pelo PSC, e também fiel da Assembleia. Nas últimas três eleições presidenciais, a convenção declarou apoio aos candidatos do PSDB, José Serra, que disputou em 2002 e 2010, e Geraldo Alckmin, que concorreu em 2006. Este ano, a intenção da igreja era manifestar apoio a Everaldo, mas com a morte de Eduardo Campos (PSB) e a ascensão de Marina a presidenciável, a Assembleia alterou os planos e a candidata deve ser a indicada pelos pastores para receber o voto dos fiéis. “Vamos escolher um dos dois candidatos evangélicos que têm compromisso com as nossas bandeiras”, afirma o pastor, que é de São Paulo e não exerce cargo eletivo.

Lélis Marinhos não quis adiantar quantas assinaturas já foram colhidas, mas disse que o “conselho político da Assembleia tem um trabalho projetado nessa direção”. Porém, de acordo com ele, o partido não será ligado à igreja, e sim ao conselho político. “A missão da igreja não é ser partido.” O pastor informa ainda que a criação de uma legenda não é uma unanimidade entre os integrantes da convenção, mas, segundo ele, o segmento que milita abertamente na política há mais tempo defende a formação do partido. “Já passamos da hora de ter um partido no qual possamos alinhar os eleitos da igreja para ter mais força na defesa das nossas bandeiras”, afirma Marinhos.

A Assembleia é contra a criminalização da homofobia e o casamento gay, situações que eram defendidas no plano de governo da candidata Marina e que foram retiradas menos de 24 horas depois de divulgadas. Esse recuo favoreceu um alinhamento da Assembleia com a ex-senadora.

Para coletar as assinaturas, o pastor espera contar com o apoio dos fiéis, estimados, segundo ele, em 10% da população brasileira, ou cerca de 20 milhões de pessoas. O último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, apontou a Assembleia de Deus como a maior igreja evangélica do país, com 12,3 milhões de seguidores. Além desse número, de acordo com ele, a igreja tem 60 mil pastores e 200 mil templos em todos os municípios brasileiros. “Acho que não teremos dificuldade com as assinaturas.”

Assembleia de Deus em números

» Fundada em 1910
» Tem cerca de 12,3 milhões de fiéis, segundo censo do IBGE
» Tem 60 mil pastores e 200 mil templos em todos os municípios brasileiros
» Tem 26 representantes na Câmara dos Deputados, entre eles o pastor Marco Feliciano (PSC-SP)
» Dois candidatos à Presidência da República: Marina Silva (PSB) e Pastor Everaldo (PSC)

Fonte: em.com.br

Assembleia de Deus colhe assinaturas para criar partido